Era ela mais uma vez. Um pouco mais magra, os olhos maiores. Mas ela estava lá. E com as patas coladas nas minhas me lembrou que eu gostava dela. De um jeito que eu nunca me permiti gostar.
Ela incomoda. Diz que toma vodca pra se proteger do frio, diz que parou de se proteger e que o sexo é importante.Afinal, 18 anos não é idade pra ser casta. Não me economize sentimentos, amor, pelo amor de deus, não me economize.- Ela sussurrava, e sussurrava e sussurrava. Sem sombra de dúvidas ela continua felina, eu pensei.
- Me perdoa (ela gemia)
- Não perdoo ( eu não dizia)
Minhas mãos conhecem o corpo dela. Uma pele tão fina, meu deus. Uma pele tão fina. Queria que as minhas mãos guardassem o cheiro de pêra que ela tinha. Queria que as minhas mãos a prendessem. Entre covinhas e beliscões ela disse: Não me economize sentimentos, amor. Pelo amor de deus, não me economize. Eu não acredito em deus. Deus é parte do medo que a gente tem, né? Você sabe que eu nunca tive medo. Lembra-se dos carros? Lembro-me de nada. E não me faça esse desfavor. Não me economize sentimentos, amor. Não me economize.
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
"Eu te amei. Era um monstruoso pentápode, mas como te amava. Era desprezível, brutal, torpe- tudo isso e muito mais, mais je t'aimais, je t'amais! E houve momentos em que sabia como você se sentia e era um inferno sabê-lo, minha menina querida. Minha pequena Lolita, minha corajosa Dolly Schiller !Lembro certas ocasiões (icebergs no paraíso), em que, saciado dela -após fabulosas e dementes investidas que me deixavam exausto, o corpo listrado de azul na luz que penetrava pelas persianas do motel -, eu a tomava nos braços com (enfim) um mudo gemido de ternura humana (sua pele brilhando com reflexos de neon, seus cílios cor de fuligem emaranhados, seus olhos sérios e cinzetos mais vazios do que nunca ) e a ternura, penetrando mais fundo, transformava-se em vergonha e desespero, e eu embalava a leve e longíngua Lolita em meus braços de mármore e gemia nos teus cálidos cabelos. De repente, ironicamente, horrivelmente o desejo voltava a crescer- e "ah, não" diria Lolita com um suspiro dirigido aos céus, e no instante seguinte a ternura e as listras azuis se partiriam em mil pedaços. "
Vladmir Nabokov
Vladmir Nabokov
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
É tudo antiguérrimo aqui dentro. Eu sei que você sabe disso mais do que ninguém. É a você que me refiro. Todos os sentimentos vomitados que voltei a comer. As cartas velhas que voltei a ler. Você bem que poderia voltar a me escrever. Você bem que poderia. Estou cheia de pedaços pequenos de outra pessoa aqui dentro. A carne sua que não me deixa mais adormecer. Você sempre me disse que eu não me apegava. Sempre disse essa porção de coisas sem sentido.
É tudo muito antigo aqui dentro. Chegou a hora de revelar. Nós fomos embora e não deixamos de olhar pra frente um minuto sequer. É imutável, é tudo muito antigo aqui.
Você nunca parava de falar. A sua boca é vulgar, tudo em você é. Me compartilhe por um segundo o que ainda há de mim dentro de você, que é tão adormecida e imutável por esse tal amor que diz sentir. Eu não acredito, nunca acreditei em você. E nunca deixei de acreditar. Você é definitivamente vulgar, respira de forma vulgar, seu cheiro é vulgar. Cheiro de erva, vinho e pó. Pois agora você tem o espaço que queria, diga suas palavras obcessivas e popularmente conhecidas, que eu não suporto mais ouvir. Vem, vomite tudo , se alivie e me deixe com isso nas costas. Afinal, sou eu que tenho que aguentar a barra.
É tudo muito antigo aqui dentro. Chegou a hora de revelar. Nós fomos embora e não deixamos de olhar pra frente um minuto sequer. É imutável, é tudo muito antigo aqui.
Você nunca parava de falar. A sua boca é vulgar, tudo em você é. Me compartilhe por um segundo o que ainda há de mim dentro de você, que é tão adormecida e imutável por esse tal amor que diz sentir. Eu não acredito, nunca acreditei em você. E nunca deixei de acreditar. Você é definitivamente vulgar, respira de forma vulgar, seu cheiro é vulgar. Cheiro de erva, vinho e pó. Pois agora você tem o espaço que queria, diga suas palavras obcessivas e popularmente conhecidas, que eu não suporto mais ouvir. Vem, vomite tudo , se alivie e me deixe com isso nas costas. Afinal, sou eu que tenho que aguentar a barra.
Cabeceira velha, tudo velho, santo deus isso é loucura. Estamos procurando o tempo inteiro coisas que não precisamos encontrar. Ando inspirada. Não sei se é começo de vida, se é começo de morte. O que é que a gente tanto procura?
domingo, 31 de janeiro de 2010
Qual é seu nome? Qual é seu signo? Seu corpo é gostoso, seu rosto é bonito
Eu passei a mão na maçaneta. Prazer, meu nome é esse. E você, como é que se chama mesmo?
Porra, nessa cidade só tem orégano. Rolou uma conexão, mas sempre rola ás 3h da manhã. É isso o que as mulheres querem, é o que elas sempre querem, uma conexão. A gente chapa e vai pra rua. Vamos de carro, ela vai guiando. Ou quem guia sou eu? Eu nunca me canso, não me canso. A gente chapa e vai durmir. A gente treme, a gente treme. Ou quem treme sou eu? Sabe, eu não aprendi nada, eu nunca aprendo eu só continuo e jogo tudo fora , fim das contas não me lembro de mais nada.
A gente treme, a gente treme. Você sabe guardar um segredo?
Porra, nessa cidade só tem orégano. Rolou uma conexão, mas sempre rola ás 3h da manhã. É isso o que as mulheres querem, é o que elas sempre querem, uma conexão. A gente chapa e vai pra rua. Vamos de carro, ela vai guiando. Ou quem guia sou eu? Eu nunca me canso, não me canso. A gente chapa e vai durmir. A gente treme, a gente treme. Ou quem treme sou eu? Sabe, eu não aprendi nada, eu nunca aprendo eu só continuo e jogo tudo fora , fim das contas não me lembro de mais nada.
A gente treme, a gente treme. Você sabe guardar um segredo?
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
A gente ainda nem começou
De palmas fechadas e punhos abertos. Apenas eu estaria disposta a dar tudo: o meu sangue, os meus órgãos, as minhas tripas.Existe tolice maior do que essa? Eu respondo: Não. A gente não deixou de viver, pequena. A gente não deixou. Mas se há uma coisa que me orgulha nessa vida, acredite: É o fato de um dia ter sentido por você o que eu senti. Ter sido capaz de viver algo tão grande. Estar ainda hoje disposta a dar tudo: meu coração, meu sangue ,meus órgãos. Não faz mal, querida. Não faz mal. A gente ainda nem começou.
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
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